Plano Tecnológico - Começar a casa pelo telhado
É pena que o pseudo-engenheiro só nos digne com a sua presença para as inaugurações (e pseudo-inaugurações) e falte sempre aos enterros das dezenas de escolas que se estão a fechar por esse pais.
Também convém frisar que, de momento, estamos a falar da inauguração de meia duzia de escolas que devem representar menos de 0,05% das escolas portuguesas.

Mas a mensagem mais importante que o primeiro ministro quer passar é de que dentro de uns meses teremos os jovens 0.5, os jovens 1.0 e alguns previlegiados jovens 2.0, isto é, teremos:
Qual foi o critério usado para definir estes cidadãos de primeira, segunda e terceira classe?! Quem decidiu?
Algumas destas questões até são compreensiveis e podem-se aceitar, pois esta actualização tecnológica não pode ser feita de um dia para o outro e é necessario algum tempo para equipar as escolas todas. Mas, é inaceitável o encerramento de escolas e a discriminação a alguns portugueses, negando-hes o direito universal e constitucional á educação.
Desviei-me um pouco do ponto que queria referir e que originou o nome deste post, voltemos ao Plano Tecnológico e vejamos alguns detalhes interessantes do mesmo.
Segundo o Governo, dentro de uns meses teremos milhares de equipamentos tecnológicos espalhados pelas escolas, até aqui tudo muito bem.
Mas alguém minimamente sério, parte para uma plano desta dimensão sem primeiro montar uma plataforma que assegure o registo dos equipamentos instalados e permita o registo e automatização do suporte!? Pois, parece que o nosso Plano Tecnológico arrancou desse modo.
Senão vejamos:
Os vários concursos de fornecimentos de redes, quadros, pcs, etc ... já foram lançados e na sua maioria adjudicados e já em curso (senão não se poderiam fazer estas inaugurações sem ficar a dever uns favores a determinadas empresas, o que levantaria suspeitas de favorecimento, certo?!).
No entanto, o concurso para dotar o Plano Tecnológico de uma plataforma de suporte ainda não foi lançado. Neste ponto, chamo a atenção para o facto de que uma plataforma de suporte obriga a ter:
- uma ferramenta especializada de software para registar todos os bens e ocorrências (Asset and Service Management),
- uma plataforma de comunicações (call-center),
- operadores qualificados e formados,
- uma série de documentação sobre os produtos a manter,
- uma infra-estrutura tecnológica para suportar tudo isto,
- instalações,
- acordos legais de suporte de 2ª linha,
- etc ...
Como podem verificar uma plataforma para dar suporte a milhares de equipamentos, com milhares de utilizadores, espalhados pormais de um milhar de localizações, está muitissimo longe de ser uma coisa simples de montar e operar.
Quem está a registar que equipamento se instalou onde? Que número de série tinha o equipamento? Quais as suas caracteristicas técnicas? Que modelo do fabricante? Que firmware? Que configuração? Que configuração foi?
Quem recepcionou e deu o Ok à instalação? etc, etc, etc ....
Onde se está a registar essa informaç efectuada ão? Em folhas de papel? Em folhas excel? Em bases de dados Access ou SQL?
Por amor de deus, e depois como e quem recupera essa informação?
Também ainda não ouvi falar nos planos de formação para os utilizadores!! Então se dermos viaturas às pessoas não devemos ensinar a condução primeiro?
Esses equipamentos nas mão de pessoas não formadas não serão de demasiada utilidade, pois sem a devida formação não poderão tirar o máximo partido das suas potencialidades. Será este o conceito do Governo para aumentar a produtividade?!
Depois teremos de ter em conta que equipamentos colocados em mãos de pessoas mal preparadas estão muito mais expostos a incidências pois aumenta o risco de avarias e desconfigurações (já para não falar de roubos, vandalismo, etc ...).
Enfim, poderia alargar-me mais um pouco, mas os pontos focados são suficiente para se compreender que se começou a casa pelo telhado.
O Plano Tecnológico do Governo começou por ser mal pensado, desde o favorecimento de determinadas tecnologías em deterimento de outras a acordos promiscuos que favorecem determinadas empresas tecnológicas, agora parece que está a ser mal executado, começando-se os projectos sem atender às necessidades mais básicas.