O pecado do desejo veio em forma de maça

Serviços de Urgências - Será coincidência?

O encerramento dos serviços de urgência e maternidades no interior coincide com o aparecimento de iniciativas privadas a revelar interesse em abrir hospitais e clinicas que, pasme-se, vão possuir a oferta desses serviços. Se para os privados existem estudos que demonstram a rentabilidade desses serviços, o que significa que existe procura, como é que o estado nos justifica o encerramento dizendo o contrário?!

Já agora, convém reparar que é nas zonas com menor poder de compra e menos alternativas de transporte que o estado fecha os serviços básicos. A estes portugueses, como se já não fosse suficiente terem rendimentos muito inferiores aos do litoral e menos oportunidades, o estado quer que fiquem sem cuidados básicos locais e que suportem os custos e a dificuldade de obter transporte para percorrer várias dezenas de quilometros para aceder a esses mesmos serviços básicos.




Assim, vejamos um exemplo:
se você for um idoso a viver numa localidade interior e sem posses para ter transporte proprio, e a meio da noite se sentir mal, o único que precisa fazer é sair da porta colocar-se na beira da estrada nacional e esperar pelo proximo autocarro ou chamar um taxi. Este pais tem uma magnifica rede de transporte publico, principalmente no interior, assim que o Ministro acredita que você terá inumeras opções.
Além disso, com certeza que a sua doença lhe permitirá esperar algumas horas por esse transporte.

Depois de encontrar um transporte, só terá de pagar percurso até á cidade mais próxima que tenha um hospital com serviços de urgência. De certeza que para a maioria, isso não deverá representar estar a mais de uns 50 km, o que cumprindo os limites de velocidade e conduzindo pelas magnificas estradas do interior não de verá representar mais de 1 hora de viagem (á noite e se não houver gelo) e umas 2 horas se for durante o dia e tiver o azar de apanhar um pesado pela frente.

Depois quando chegar ao Hospital, pague o transporte (se não tiver dinheiro, existem muitas empresas de crédito rápido), mas assegure-se que guarda o suficiente para pagar as taxas moderadoras.

Quando, finalmente for atendido e se entretanto a sua doença não lhe tiver oferecido um futuro bem mais simples. Irão tratar de si assim que chegar a sua vez mas, por favor, não morra nos corredores que depois é uma dor de cabeça para explicar isso à comunicação social, o pais agradecer-lhe-á.

Quando chegar a sua vez, reze para que seja um médico espanhol pois, apesar de não o perceber bem, ele tentará cuidar de si, será simpático e tentará explicar-lhe o seu problema.
Se lhe calhar um médico português, esse estará a pensar que é que está a fazer naquele fim do mundo e que merecia estar num Hospital de Lisboa, você será considerado um chato que lhe veio interromper o momento de autocomiseração, e o seu problema só a ele lhe diz respeito e você deverá seguir as ordens dele sem fazer perguntas pois não é suficientemente inteligente para entender como funciona o seu corpo.

Quando finalmente lhe derem alta, se tiver tido a sorte de sobreviver a tudo isto, só terá de pensar em como regressar a casa. O Ministro aconselha-o a ir a pé, pois isso faz bem à saúde e dar-lhe-á tempo de pensar em como vai pagar as dívidas que entretanto contraíu.

Micromultifuncional

Ó pá, este padre ainda vai ser contratado como responsavel de inovação por uma empresa tecnológica.



Isto é que é um verdadeiro micromultifuncional

No Cantante - "Houdini Blues"

Hoje estou numa onda muito tuga, mas depois de uns anos a viver no estrangeiro (isto é só para armar ao cagalhão!!!) estou a conhecer muita coisa nova.
Ando mesmo a flipar com esta musica.

No Cantante - "Dapunksportif"

From Peniche, Portugal:

No Cantante - "Wraygunn"

De portugal com muito amor:

No Cantante - "Electrocute"

Poesia de Andaime

Enviaram-me (em PDF) este interessante livro sobre piropos.
Como é de esperar não posso deixar de o partilhar. Como livro é um pouco pequeno e como post de um blog é um pouco comprido (ainda pensei em dividir em vários post, mas ... que se lixe), mas garanto-vos que é muito divertido.

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Poesia de Andaime

Recolha e Textos de Luís Coelho (Copyright Touch Me_Wunderman 2006)

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A todas as mulheres.
E um beijinho especial
para a Sónia de Linda-a-Velha
do Manuel da Betoneira.

"O ouvido é o caminho do coração." Voltaire

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Um pequeno começo.


Declamar um poema. Fazer a corte. Cantar uma serenata. Seja qual for a etiqueta pendurada à porta é facto inegável que todo o homem, que é homem, já proferiu o seu piropo. Muitos até o mesmo várias vezes. Outros ainda adaptam-nos às diferentes conjunturas diárias, desenvolvendo uma peculiar capacidade de improvisação, “Ajudas-me a procurar o meu cãozinho? Acho que entrou no teu quarto de
hotel”, ou mesmo “Desculpa, pensei que fosse uma camisola em Braille”.

Desde tempos primatas, onde um cru puxão de cabelos simbolizava a paixão selvagem do macho alfa pela fêmea, passando pelas serenatas à janela e pelas tradicionais cartas de amor, o homem sempre procurou cativar o sorriso da sua amada de tantas formas quantas as formas que a imaginação permitia.
Exemplos flagrantes disso mesmo são os filósofos greco-romanos, os poetas renascentistas e os trovadores bucólicos da corte d’Él Rei D. João II. Comum a todos, o desejo ardente de cantar a beleza da mulher.

Se bem diz o poeta “O amor é fogo que arde sem se ver”, melhor diz o povo “O que é bom é para se ver”. E em pleno século XX, dá-se a inversão do papel submisso do poeta trovador prostrado aos pés da mulher que se erguia da janela mais alta da torre do castelo.

É assim que hoje, enquanto a mulher moderna se deleita com os seus passeios vespertinos, escuta a voz do desejo bradar fulgurante do cimo de um andaime – É carapau.

Estamos então perante um estilo de poesia Royal ou poesia instantânea. Uma poesia destinada a provocar um efeito, seja ele qual for, imediato e espontâneo. É uma poesia nua, sem burilados ou versos alexandrinos. Ecuménica e inaudita marca um virar de página na literatura portuguesa do novo milénio.

Embora algumas das peças mais apreciadas destes poetas sejam bastante elaboradas, é do simples trocadilho ou da banal metáfora que brotam os mais belos versos da poesia de andaime. Há no entanto que saber dar o devido valor ao papel fundamental que a oralidade desempenha nesta corrente. Sendo que, por vezes, um simples “Ó boa”, exclamado em voz grossa e rouca, embrulhado numa entoação rude e rematado com uma vigorosa coçadela do saco e uma valente cuspidela de um qualquer terceiro andar da obra, surte o mesmo efeito que um quiçá mais complexo “Ó filha, só não tenho pêlos na língua porque tu não queres”.

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Capítulo 1 - A rima rica

Os primeiros dados à nossa disposição sobre o surgimento da rima na poesia ocidental remontam a origens semíticas que segundo Paul Klopsch podem ser datadas de 250 d.C. aproximadamente. Já Comodiano de Gaza, poeta cristão do século III, compunha as suas obras em hexâmetros, não imitando os padrões clássicos de acentuação quantitativa. A poesia cristã, com o seu objectivo primordial didático-encomiástico, servia-se então do latim para a expressão de “boas novas” com um novo artifício de expressão estética para os ditos poéticos.

Recorrendo então a uma das figuras de estilo mais enraizadas nas obras poéticas, a rima, pedreiros, marceneiros, trolhas e carpinteiros deambulam pelos versos desta vida com declarações de desejo e paixão.

1. Ó flôr dá para pôr?
2. Ó musa dás-me tusa.
3. Ó bomboca, mostra a toca?
4. Ó doce, era onde fosse.
5. Ó beleza, deixas-ma tesa.
6. Ó boneca, vai uma queca?

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Capítulo 2 - O trocadilho

O trocadilho resulta de uma semelhança formal entre dois enunciados sendo um deles, muitas vezes, elíptico. Semelhança que pode chegar à identidade. Alguns trocadilhos relacionam uma paráfrase com o seu parafraseado. O trocadilho pode ser intencional ou acidental, como ocorre na cacofonia. Há trocadilhos com intenção crítica, na qual se deseja transferir para um enunciado o suscitado pelo outro ou aqueles em que o efeito resulta da relação que medeia os dois enunciados. No exemplo do trocadilho do Barão de Itararé: “Adeus, Pátria e Família” o cómico resulta da relação de oposição extrema entre a paráfrase e o parafraseado.

Parte da secular tradição oral portuguesa, com raízes nas antigas cantigas de escárnio e nas sátiras de Pêro Rodrigues, o trocadilho é um refúgio artístico profícuo na fina arte de bem trovar.

7. És como um helicóptero: gira e boa.
8. Ó fêvera, junta-te aqui à brasa.
9. Ó jóia, anda aqui ao ourives.
10. Ó “morcona”, comia-te o sufixo.
11. Ó filha, aperta aqui que é mais fofo.
12. Ó jeitosa, és mais apertadinha que os rebites de um submarino.
13. Andas na tropa? É que marchavas que era uma maravilha.
14. Se fosses um barco pirata, comia-te o tesouro que tens entre as pernas.
15. Tantas curvas e eu sem travões.
16. Usas cuecas TMN? É que tens um rabinho que é um mimo.
17. A tua mãe só pode ser uma ostra para cuspir uma pérola como tu.
18. Tens um cu que parece uma cebola, é de comer e chorar por mais.
19. Só queria que fosses uma pastilha elástica para te comer o dia todo.
20. Tanta carne boa e eu em jejum.
21. Se o teu cu fosse um banco, fazia uma poupança a taxa fixa.
22. Ó filha, agora já percebo porque é que tenho a talocha nas mãos.
23. Belas pernas, a que horas abrem?
24. A ti não te custava nada e a mim sabia-me tão bem.
25. Até davas uma boa actriz mas és muito melhor atrás.

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Capítulo 3 - A metáfora

A metáfora caracteriza-se singularmente pelo uso de uma palavra ou de uma expressão num sentido que não é o próprio, baseado numa relação de semelhança. O processo de construção da metáfora requer uma comparação prévia entre entes diversos retendo o que se considera igual ou semelhante, para originar um novo significado. Sendo assim, a metáfora é muito mais do que uma figura da língua, é do pensamento, é cognitiva. Comparação mental ou abreviada, onde prevalece a relação de semelhança.

Não tão óbvia como a comparação mas não sendo uma coisa diferente, a simples metáfora confunde-se já com a maneira de falar de cada um. Usada quase sem querer numa tentativa de escapar ao óbvio, deixa à mulher o papel de adivinhar e interpretar o piropo.

26. Ainda dizem que as flores não andam.
27. Ó filha, com um cuzinho desses deves cagar bombons.
28. Ó filha, levavas aí com o martelo pneumático que fazíamos o túnel do Marquês num instante.
29. Que bela anilha que tu tens, deixa lá enroscar o meu parafuso.
30. Só custa a cabeça que o resto é pescoço.
31. Que rica sardinha para o meu gatinho.
32. Anda cá a cima afagar-me a cobra zarolha.
33. Ó filha, o teu pai devia ter a régua torta para te fazer com curvas assim.

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Capítulo 4 - Os ordinários

O palavrão ou aumentativo de palavra é uma gíria de cunho, conhecido em Portugal como calão de baixo nível. Considerados imorais por muitas religiões, os palavrões são inadequados na norma culta da língua portuguesa e geralmente usados de forma popular e brejeira. Excepto por licença poética.

Esta secção, não aconselhada a leitores com pacemaker, revela a face mais obscura da poesia de andaime. Poesias rudes e deliciosamente envenenadas com sarcasmo e desdém. Versos muitas vezes escritos à hora de almoço, sem a supervisão de um capataz devidamente credenciado e declamados apenas pelos mais audazes dos homens.

34. Ó filha, fazia-te um pijaminha de cuspo.
35. Quem me dera que fosses um frango para te meter um pau no cu e fazer-te suar.
36. Só queria que fosses um cavalinho de carrossel, para te montar todo o dia por 50 cêntimos.
37. Ó filha, anda cá a cima que até a barraca abana.
38. Contigo filha, era até ao osso.
39. Metia-te-a inteira até que ma mordesses.
40. Posso tocar no teu umbigo da parte de dentro?
41. Ai de ti que eu saiba que esse cuzinho anda a passar fome.
42. Ó filha, enchia-te essa cona toda de massa.
43. Só não tenho pêlos na língua porque tu não queres.
44. Ó filha, anda cá a cima que ele não se vai chupar sozinho.
45. Tens uns olhos tão lindos, tão lindos, que te comia essa cona toda.
46. Caiava-te toda de branco por dentro.
47. Contigo era até encontrar petróleo.
48. Ó linda, sobe aqui à palmeira e anda-me lamber os cocos.
49. Ó faneca, anda cá que o pai unta-te.
50. O teu cu parece uma serra eléctrica, não há pau que lhe resista.
51. És tão quente que até se me grelham os tomates.
52. O meu amor por ti é como a diarreia, não o consigo manter cá dentro.
53. Diz-me quem é a tua ginecologista para eu lhe ir chupar o dedo.
54. Com esse cu, estás convidada a cagar na minha casa.
55. Contigo até me tornava mineiro, só para te abrir os buracos todos.
56. Podia ficar um mês a cagar trapos mas comia-te com roupa e tudo.
57. Posso pagar-te uma bebida ou preferes em dinheiro?
58. Ainda dizem que a fruta verde não se come.
59. Ó filha, lambia-te o que tu mais gostas.
60. Ó fofa, agarra aqui na corneta.
61. Agarra-me aqui no tarolo, ó princesa.
62. O teu pai deve ser arquitecto, tens um cu que é uma obra.
63. Ó filha, agarra aqui com a mão.
64. Que rico filho. Anda cá cima que eu faço-te outro mas mais bonito.
65. Ó sol, sopra aqui na minha flauta pingante.
66. Ó boneca, era a estrear.

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Capítulo 5 - A subtileza do povo

Apesar das vestes rurais de trabalhador da construção civil, das marcas de suor que desenham pequenos testes de Rochard nas camisolas de alças brancas e amarrotadas e de uma voz arranhada pelos anos, o homem das obras também tem coração. Muito por causa das pressões da sociedade mas sobretudo de certos e determinados indivíduos que não permitem ao simples homem das obras seguir as pisadas de um Camões ou de um Pessoa, os registos desta face da poesia de andaime são escassos e pouco documentados.

Procurando encontrar um ponto de transição mantem um equilíbrio de forma e estilo entre correntes poéticas, nos primeiros anos de andaime, muitos são os que não se libertaram completamente das inibições da poesia trágico-tropical trovadoresca. Declamam versos suaves que por vezes se confundem com cartas de amor renascentistas.

67. Ia até ao fim do mundo por um dos teus sorrisos, e ainda mais longe pela outra coisa que podes fazer com a boca.
68. Estou a lutar desesperadamente contra o impulso de fazer de ti a mulher mais feliz do mundo.
69. Sabes onde ficava bem a tua roupa? Toda amarrotada no chão do meu quarto.
70. Só a mim é que não me calha uma destas na rifa.

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Capítulo 6 - Os religiosos

A Igreja, pela natureza universal da sua mensagem, não se identifica objectivamente com nenhuma cultura, pois pode exprimir-se em todas elas, sendo capaz de as influenciar, intervindo no fenómeno da mutação cultural.

Não será de estranhar que, num país de fortes tradições religiosas como Portugal, também as expressões clericais e sacerdotais se misturem no seio da linguagem do amor e do romance. Como disse um dia o calceteiro João da Silva Ramalho, ao olhar aquela que viria mais tarde a ser sua esposa – "Ai Jesus, que és tão boa."

71. Diz-me lá como te chamas para te pedir ao Menino Jesus.
72. Ó filha, queres ir ao céu? Sobe os andaimes que o resto do caminho é por minha conta.
73. Ó filha, se não acreditas que Deus é feito de carne e osso sobe os andaimes e anda cá tocar-me.
74. Abençoados pais que conceberam esta coisinha linda.
75. Por acaso és católica? É que tens um cu que valha-me Deus.

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Capítulo 7 - Os espirituosos

Normalmente escritos depois de almoço logo após as primeiras garrafas de vinho, estes versos reflectem o espírito jovial que se vive nas empreitadas lusitanas. Há ainda quem os chame também de reinadios ou reinadões.

76. Se eu estivesse no teu lugar, tinha sexo comigo na boa.
77. Ó menina, cuidado que prendeu-se-lhe a parte de baixo da saia no manípulo da betoneira.
78. Essa roupa fica-te muito bem, mas eu ficava-te melhor.
79. Se cair, já sei onde me agarrar.
80. Acreditas em amor à primeira vista ou tenho que passar por aqui outra vez?
81. Anda cá que te vou dar uma sessão de raboterapia.
82. Não sou muito bom em matemática mas, 1+1 = 69?
83. Não te esqueças do meu nome, mais logo vais gritá-lo.
84. Minha senhora, troco a sua filha por um piano, assim, podemos tocar os dois.
85. És um bilhete de primeira classe para o pecado.
86. Queria ser um patinho de borracha para passar o dia na tua banheira.
87. Deves estar tão cansada, passaste a noite às voltas na minha cabeça.
88. Posso não ser bonito como o Brad Pitt, nem ter os músculos do Schwarzenegger, mas a lamber sou uma Lassie.
89. Com uma montra dessas, imagino como é o armazém.
90. Ó filha, contigo era até partir os pés à cama.
91. Ó doce, anda cá a cima fazer uma festinha ao tareco.

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Capítulo 8 - Quem desdenha…

Quem desdenha quer comprar. Mais um daqueles casos em que a sabedoria popular, transmitida ao longo de gerações, raramente se engana. Mas a grande novidade encontrada nesta poesia foi a descoberta de poetas com níveis de escolaridade muito superiores aos que antigamente se pensava. Uma situação que tem com certeza a ver com a emigração de licenciados de leste para a construcção cívil portuguesa.

Nunca antes se haviam encontrado vestígios de poemas de trabalhadores da construção civil com um nível de escolaridade igual ou superior ao antigo quinto ano de liceu. Neste pequeno capítulo o leitor vai ler poemas de indivíduos que claramente frequentaram, pelo menos, o segundo ano de faculdade.

Neles podemos ver a aplicação prática de técnicas avançadas de psicologia invertida numa corriqueira frase de engate.

92. Não és nada de se deitar fora, já tive pior e a pagar.
93. Podes não ser a rapariga mais gira, mas com a luz apagada também é bom.
94. Ó filha, tens carinha de modelo mas o teu cu é um continente.
95. Com umas bóias dessas o Titanic não tinha ido ao fundo.
96. Com um piso desses deves ser mais rodada que a 2ª Circular.

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Capítulo 9 - Simples e bonito

97. Ó filha, anda cá dar um beijinho ao trolha.

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Capítulo 10 - Quando a canção falha

A rejeição é o pior dos inimigos. O estômago revolve-se e vem ao de cima um sentimento de angústia e desagrado. O balde de água fria da ribeira que explode como uma pequena bomba de cariz nuclear.

Nesses instantes de loucura soltam-se palavras amargas de vingança e olhares frios de desdém.

98. Ai não queres? Eu vi logo, gorda como estás é porque não suas muito.
99. Mau? Mau o quê? Disse algum disparate ou chupas aqui mesmo?
100. És mesmo esguia, pareces uma sereia: metade mulher, metade baleia.
101. Ó filha, com menos cu também se caga.
102. Ó filha, se o teu cu fosse uma torrada, precisava de um remo para o barrar.
103. Também só queria saber o teu nome para quando me masturbar saber em quem estou a pensar.
104. Ó filha, só não sou teu pai por quinhentos paus.
105. Ó filha, com esse atrelado só com carta de pesados.

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Nota final.

Apenas uma breve nota, que me permito ser algo controversa. Parece-me a mim, mais a nível pessoal do que propriamente como linguísta e historiador, que apesar de estarmos perante a corrente poética que mais expressão tem no nosso país, a única capaz de gerar novos poetas a cada dia que passa, com tertúlias diárias de declamação em todo o país, e quiçá, com mais obras na rua que qualquer outra forma de poesia, o público em geral e sobretudo os críticos não lhe sabem dar o merecido valor. Pelo contrário. É cada vez mais forte a voz que se opõe às manifestações públicas destes poetas de andaime.


Espero que este livro sirva para mudar um pouco a nossa postura geral em relação a estes artistas e despeço-me com este pedido – deixem declamar o Mantorras.

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Uma obra literária profundamente fundamental na conjuntura socio-cultural do equinócio português.” - Um entendido nestas coisas

O melhor livro de casa-de-banho da última década.” - Um jornal com críticos muito importantes

Para os trabalhadores da construção civil? Já dei, já dei.” - Pessoa que estava na Rua Augusta

Ir mandar cópia mãe na ukrania.” - Yuri
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Solteironas? Why not?

Algumas mulheres escolhem passar a maior parte da sua vida sozinhas.

Isto é um facto indesmentivel e todos conhecemos algum caso real. O que leva algumas mulheres a tomar essa decisão é que será mais difícil de identificar pois pode ser resultado de uma causa única ou de várias, ou de milhares de factores aleatórios.

Pode ter sido um desgosto amoroso (ou vários), pode ter sido devido a ninguém a conseguir aturar (ou ela não conseguir aturar ninguém, o que é a mesma coisa), pode ter sido devido a uma sucessão de relações falhadas, por ter sido uma paixão enorme pelo gato, por ter sido por ela ser feia como um bode e ninguém lhe pegar (um avestrôncio, diria eu), eu sei lá, podem ser outras mil coisas.

Mas não era dos motivos que eu queria falar, eu queria falar de um factor que é fundamental para elas tomarem essa decisão: os dedos.

Imagino que estarão a perguntar “o que a merda dos dedos tem a ver com isto?”.
Pois têm muito a ver, senão vejamos, o ser humano é sexualmente activo e, segundo um gajo que escreveu uns livros muito famosos que eu nunca li e que se chamava Freud, o ser humano vive e pensa para o sexo e tudo se explica em função disso (é o que me disseram que o gajo disse).

"E???" (perguntam vocês).

Então, se uma tipa escolhe ficar sozinha a vida toda é porque decidiu que fazer sexo sozinha é suficientemente satisfatório para ela. Para o fazer ela necessita dos dedinhos pois não tem o gajo (ou a gaja, ou o gato, ou outro qualquer parceiro da sua preferência... eu gostos não discuto!) para a ajudar na estimulação das suas partes sensíveis.

Bem, alguns argumentarão que o sexo está na mente e tal e coisa,…, mas eu digo que se não houver estimulação física, não há orgasmo (ou há?!).


E vocês dirão “e porque os dedos?! um parceiro é bem melhor!”, algumas dessas mulheres pensam e argumentam o contrário, e justificam a sua opção com afirmações do género:

- Os dedos não são ciumentos e podem-se usar mais de um de cada vez. Há sempre 10 há escolha.

- Os dedos não ejaculam, não ficam cansados antes dela, são ágeis e não murcham quando termina. Eles não adormecem depois e têm sempre força para mais uma.

- Por coincidência, calha que, sempre que ela tem vontade, eles também têm, pelo que ela pode fazê-lo quando quiser, pelo tempo que lhe der na gana … e além disso pode parar quando lhe apetecer.

- Como estão repartidos por 2 mãos, pode usá-los em dois locais de cada vez e, uma mão não terá ciúme da outra.

- Eles não colocam cara de preocupação quando ela pretende introduzir um pouco de imaginação na relação ou pretende fazer acrobacias na cama.

- Sempre sabe por donde os dedos andaram, qual o seu estado de saúde e que eles não a podem engravidar.

- Eles nunca vão olhar, assobiar ou ficar de beicinho por outra, mais, eles nunca a vão trair. Você sabe que é a primeira e única, e eles não se importam se isso não for recíproco.

- Os dedos não cheiram mal, não ressonam, não peidam, não arrotam e suam pouco.

- Os dedos estão sempre com ela, são úteis para muitas outras coisas e nunca ninguém se admirará de ela os levar para a casa de banho.

- Os dedos nunca a vão trocar por um jogo de futebol ou por uma noitada com os amigos, e são extremamente gentis para ela, abrem-lhe as portas, puxam-lhe a cadeira, ajudam-na nas arrumações e limpezas e até cozinham para ela.

- Os amigos e a família sempre os aceitaram e nunca os criticarão, além de que, eles não lhe pedirão para conhecer a família.

Enfim, têm de reconhecer que são argumentos válidos para desculpar quem nunca experimentou dar uma boa queca.

"Quanto mede a sua?"

QUANTO MEDE A SUA? – Resultados da grande sondagem nacional

Terminaram no passado mês de Setembro as duas grandes sondagens nacionais levadas a cabo por este blog. Devido ao inesperado elevado número de participantes e a alguns problemas técnicos dos nossos serviços de acesso à Internet, demorámos algum tempo mais do que o previsto na divulgação dos resultados das sondagens. Apelámos à vossa compreensão, pois as nossas obrigações para com os eventuais leitores obrigam-nos a garantir o máximo grau de exactidão nos resultados que agora começamos a divulgar.

Assim, os resultados da grande sondagem QUANTO MEDE A SUA? podem ser visualizados no seguinte quadro:



Pela análise dos dados verificamos que, 46% afirmam que a têm maior do que 15 cm, 33% categoricamente não chegam aos 10 cm, sendo que apenas 20% se encontram entre essas duas medidas.

Estes espantosos resultados levam-nos a fazer as seguintes reflexões:

- Somos um pais de extremos, em que um terço não possui o suficiente para o fazer correctamente e, por outro lado, quase metade presume de extrema abundância.

- A nossa sociedade sempre sobrevalorizou as aparências, pelo que, acreditamos na existência de algumas respostas adulteradas nesta sondagem, existindo indícios de ter havido um elevado número a pretender possuir instrumentos de uma classe “superior” quando, na realidade, não possui os atributos necessários para ostentar a posição que afirma.

- Um 33% deve sofrer de miopia ou, se não for esse o caso, deve começar já a dar à língua pois com o que têm dificilmente lá chegarão.


- Se quisermos acreditar que as pessoas responderam de uma forma honesta então somos levados a pensar que:
1) Existe um muito elevado número de portugueses a sofrer de estigmatismo ou então que compram espelhos de aumentos.
2) Deviam ordenar uma inspecção urgente á Molin (creio que esta já fechou), à Firmo e à Ambar, pois andarão a vender réguas mal calibradas.
3) Essas técnicas de magnificação e aumento que se anunciam na Internet afinal funcionam ou então provocam ilusões.
4) Portugal deve estar cheio de “vikings”

Enfim, estas são algumas das conclusões possíveis mas com a divulgação destes resultados esperamos um grande número de reacções e novas interpretações.